NÃO SBM O QUE FAÇO
NÃO SABEM O QUE FAÇO
Não sabem o que faço.Na garganta sinto escorrer
o ardor do bagaço,
(arranha as feridas
de gritos escassos)
vida regida de fracassos.
Possuo-me intensamente,
e venho-me insatisfatoriamente silenciosamente
respirando no próprio bafo
o que engoli no último parágrafo.
E as roupas? que lhes use
e pegue prontamente fogo,
que acende e me queime o pescoço
e me retire a dor de deambular.
Passível, relanço para a janela,
no calor fornecido pela mísera vela:
(que anda muito susceptível ultimamente,
ofendida diariamente pela brisa corrente)
espreguiço-me e liberto-me do corpo tenso.
Olho para o tempo — suspenso.
Tenho-me agora num passo lento,
na pele nua bate o suave vento,
o frio que me consome aguento-o
e aceno ao vizinho, atento.
- in PROMETHEUS, revista literária,Maio de 2020, 5ª edição
