RAMEIRA





 
RAMEIRA



A minha vida é marcada de humores negros

branda desgostos e desesperos

grita obscenidades e blasfémias...


Corpo hirto em posição de vénia. 


Tudo em pausa,

sento-me na margem

da calçada

idealizo mil e uma ideias de viragem;

palra um futuro sem causa. 

Igualo meu avô ao sentir dor ao vaguear.

Visão cegou

ao me ausentar do bar. 


Devaneios mentais no regresso a casa. 

Ébrio cheiro a estrada molhada

fraca é a luz intermitente da lâmpada gasta:

coração leve, cheio de nada. 


Confirmo, é verdade

que quando levamos ao goto intimidade

esquecemo-nos da sua implacabilidade.

Puta da Saudade.